A incrível arte de morar sozinho I

Pra variar um pouquinho, tudo começou no começo. Logo que eu me mudei pra esse apartamento aqui onde eu moro, me deparei com um grande desafio. Em uma bela noite de verão, estava eu a estudar no modo "punk" pra uma matéria de gerenciamento. Acho que era o meu segundo dia aqui em casa. Eu tava toda empolgada porque tinha luz elétrica no quarto e na cozinha (sim, porque eu não consegui instalar todas as lâmpadas sozinha). Minhas janelas de 2.00 x 1.40 m estavam abertas, escancaradas. E eu ouvia apenas o som do vento "fuá-fuá" batendo na árvore de flores lilás que fica no quintal do vizinho de trás. E eu concentrada, estudando. Ai meus ouvidos começaram a perceber um som que não era o do vento. Um "qui-qui-qui" esquisito. Vi que o
"qui-qui-qui" não tava vindo de tão longe assim. É, ele tava bem ali a minha esquerda, grudado no cantinho entre a parede e a persiana. Um morcego! Nunca senti tanto nojo desse tipo de criatura como naquela noite. Pensei em gritar desesperadamente, que é o que eu faço quando me sinto em situações altamente periculosas. Mas logo desisti. Lembrei que na escola a gente aprende que esse bicho é cego e, por isso, supus que ele iria me ouvir muito bem e sair voando e se enroscar no meu cabelo, me morder e sugar todo meu sangue até eu virar uma vampira e atacar a humanidade durante as sombrias noites de lua cheia. E agora? Confesso que eu fiquei estática durante alguns bons 10 minutos. Dura, estátua, pensando no que fazer. E o bicho lá, com seu "qui-qui-qui" medonho. Ai não deu outra. Sai com mais de mil do quarto. Se tivesse camera escondida talvez eu pudesse ir pro Top 5 do CQC. Eu me lembro que eu desci da cama abaixada, no melhor estilo treinamento do exército no meio da Floresta Amazônica. Isso tudo muito rápido. Ai sai correndo, gritando por dentro. Bati na porta dos meus vizinhos marijuana. Eu deveria tá com uma cara muito tenebrosa, porque me lembro do moço perguntar "guria, tu tá bem" em tom preocupado. Contei que tinha um morcego no meu quarto. Certo, eles riram. Riram muito de mim. E eu também ri bastante. Mas por dentro eu pensava "que droga, eu moro só e não sei me comunicar de maneira amistosa com morcegos". Conclusão: os maijuana são biólogos, pegaram um pano e tiraram o bicho do meu quarto tranquilamente, como se tivessem capturando um mosquitinho qualquer. E, pela primeira vez, fui salva de uma situação de extremo perigo. E morando sozinha.

5 comentários:

Ana Paula disse...

hahahhahahahhahahah

Ana Paula disse...

Morei com uma família de morcegos dentro da parede dupla de madeira do meu quarto por alguns bons anos.. o pior era quando eles faziam morceguinhos, o ki ki ki ficava mais alto hahahahahah

Danillo disse...

Excelente história. Esta célebre situação se configura em uma real ameaça à espécie humana. É por isso que a partir de agora lanço a campanha "DEATH TO ALL BATS!" (www.deathtoallbats.com). Vamos exterminar os morcegos da face da terra.

E mais, acabo de lançar a campanha "MUTUCAS: KILL THEM ALL!" (www.killallmutucas.com) pois no momento em que estava lendo o saudoso texto da senhora Dani uma mutuca (Mutucus giganteus) proveniente do Bosque Rodrigues Alves invadiu meu quarto, gerando movimentos estapafúrdios de esquiva por parte de minha infame pessoa em fuga do temido (e maldito) artrópode.

P.S: Pra quem não sabe, a Dani é minha irmã.

Trícia disse...

Hahahahahahaha...adorei!!!!!!!

Gisa Freire Faraon disse...

Que aventura, não!! Lamento o teu susto, mas ri bastante!! Vou rir mais um pouquinho.. AHAHAHA!!!!